Neste período afastado, para não perder o costume viajei ao interior de Pernambuco. No dia 17 de setembro fui a Arcoverde encontrar com o Samba de Côco Raízes de Arcoverde, e de lá fomos à cidade de Floresta. O grupo ia se apresentar em um festival chamado Sertão de Itaparica Mundo.
Eu estava super empolgado com a programação. Orquestra Contemporânea de Olinda, Adiel Luna e Côco Camará, Chico Correia e Eletronic Band e vários outros, alem do Côco Raízes, claro.
Ainda em Arcoverde fui informado para não "mexer" com nenhuma mulher, nem "soltar gracinha" para ninguém, pois Floresta e terra de cabra macho e os "problemas" são resolvidos da forma deles. Viajei morrendo de medo.
A estrada para Floresta é horrível, cheia de buracos. Também me falaram que era muito perigosa e que havia assaltos por ali.
Chegando lá não vi quase ninguém pelas ruas, pouquíssimas pessoas. Pensei que seria por causa do horário, e que a noite todo o povo estaria na praça, como em toda cidade de interior. Nos instalamos na única pousada que tinha vagas. Comentavam que as vagas acabaram apenas com os artistas que iam se apresentar no festival.
Lembram daquela Stefhany do Crossfox? Ela estava na mesma pousada, e ia fazer show no mesmo dia. Havia alguns jovens na frente da pousada, esperando para tentar arrancar algum autografo. Para aquelas cinco "meninas" ela era uma celebridade.
Chegando à passagem de som avistamos um palco enorme, uma estrutura muito bacana, tanto em som quanto em iluminação. Jantamos, voltamos à pousada e as ruas continuavam desertas.
O evento começou com um atraso de uma hora. Todos apreensivos, pois não havia ninguém em frente ao palco. Absolutamente ninguém. Assistimos aos primeiros shows, o Côco Raízes foi à terceira atração, e tocou para umas 50 pessoas, mas destas, haviam pessoas da organização, músicos de outras bandas e alguns poucos jovens da cidade.
Quando acabou o show do Côco fui à frente do palco assistir o show da banda A Roda, de Olinda. Fiquei imaginando: Toda aquela estrutura, qualidade das bandas, determinação e trabalho de quem faz o evento, para apenas 50 pessoas? Deve ser muito frustrante.
O que me dava mais angustia era que no outro dia haveria o show da banda que quase ganhou o Grammy, que fez belos shows nos Estados Unidos, Europa, em todo o Brasil, a Orquestra Contemporânea de Olinda, tocando ara 50 pessoas.
E o mais assutador é que o show da Stefhany tambem não "deu público". Ficamos sem entender sobre o que se passa na cidade, a cultura daquele povo, ou se realmente existia povo, naquela cidade que parecia cidade fantasma.
Muito dinheiro gasto, muito tempo, muito esforço. A Produtora do evento é mesmo muito corajosa. Eu não entendia como aquilo estava acontecendo. Não sabia se realmente existiam moradores naquela cidade.
Junior Black e a banda A Roda fizeram um show quase que particular para nós do Côco Raízes, e para outros artistas que lá estavam. O bom nestes casos é que dá pra assistir com mais detalhes cada show, e vi o quão boa é esta banda,
Depois desta situação atípica fomos à pousada tentar dormir. Haviam muitas "muriçocas", mas como eu estava bastante cansado consegui dormir. No outro dia pela manhã retornamos a Arcoverde com um motorista louco que, por pouco não nos matou na estrada.
Não ficamos para o segundo dia de shows, mas eu fiquei sabendo que foi "um pouco" melhor que o dia anterior.
Estas situações me fizeram refletir sobre quando e como arriscar, ou não arriscar na vida. Na escolha de uma cidade para um festival, na escolha de um motorista para a van, no "não reservar" com antecedência uma pousada para se hospedar, e varias outras coisas.

